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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Timothy Garton Ash - O Dossier. Sob a Vigilância da Stasi Alemã





Timothy Garton Ash nasceu em 1955 e é actualmente um jornalista e historiador respeitado. O seu livro autobiográfico, O Dossier (no original The File) conta a história do seu dossier coligido pela Stasi, a polícia política da ex-RDA, das suas memórias e de algumas das suas inquietações pessoais. Durante a sua juventude, em 1978, Ash foi viver para Berlim, a cidade dividida pelo ignóbil muro.
Achei especialmente fascinante a forma sucinta e certeira como o autor conseguiu descrever as profundas contradições vividas pela Alemanha nos últimos séculos: 

«Ali encontrei, também aquela proximidade íntima entre a alta cultura europeia e a desumanidade sistemática que George Steiner identificara na sua obra No Castelo de Barba Azul, um livro que me causara uma enorme impressão quando o lera, aos 17 anos. No meu diário chamava a este fenómeno "Carvalho de Goethe", por causa do velho carvalho do Ettersberg, perto de Weimar, sob o qual Goethe escrevera, ao que se dizia, a Canção do Viajante, mas que depois ficara encerrado no perímetro do campo de concentração de Buchenwald. Goethe e Buchenwald, o mais alto e o mais baixo da história da Humanidade, juntos num único lugar.»

 Ash foi viver para Berlim com o objectivo de aprender mais sobre a liberdade e a tirania. Nas suas palavras:
«Estava fascinado porque ali, na Alemanha de Leste, as pessoas viviam realmente aquelas escolhas difíceis e infindáveis entre colaboração com uma ditadura e a resistência a ela. Ali, podia procurar a resposta à questão Stauffenberg/Speer, por assim dizer, em tempo real.»

Quinze anos depois, com a queda do muro, a unificação alemã e a abertura dos arquivos da Stasi, Ash regressou para consultar o seu detalhado ficheiro construído com a ajuda de dezenas de informadores. O relato da sua leitura, do confronto com as suas memórias pessoais e dos seus diários da altura, as conversas com alguns antigos membros daquela polícia política, formam um todo narrativo viciante e inquietante, que pode ser lido como um (bom) livro de ficção. No final, resta a pergunta: o que é que faz uma de uma pessoa um Stauffenberg e de outra pessoa um Speer?

«(...)Não existe uma regra simples, uma explicação única. Todavia, enquanto aqueles que trabalharam para a polícia política me falam sobre as suas vidas sinto, uma e outra vez, que a chave está na sua sua infância. (...) Há o pai ausente: na guerra, morto em combate, ou algures num campo de prisioneiros de guerra. Há o pai que era um nazi ou o pai que era uma vítima dos nazis. A herança psicológica do nazismo e da guerra prepara os candidatos para o próximo episódio de ditadura. (...) Por vezes - na verdade, muito frequentemente - a Stasi aparece como um pai substituto.»



Timothy Garton Ash (1955 - )

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Max Hastings - "Finest Years"



Sir Max Hastings, reconhecido historiador militar, publicou uma biografia de Churchill que eu julguei capaz de ler, o que se veio a confirmar. Isso foi possível porque Hastings restringiu a investigação a um período claramente limitado de cerca de 5 anos, a saber, 1940-1945, durante o tempo em que Winston Churchill foi um "Senhor da Guerra", da Segunda Guerra Mundial.

Encontramos neste livro um relato completo, mas não exaustivo de um homem extraordinário e, mesmo assim, temos um "tijolo". Lembramos que tudo o que viveu antes de 1940 não é mencionado, como a sua carreira de jovem oficial na Índia, no Sudão, a sua participação na Segunda Guerra dos Boeres, a sua participação na Primeira Guerra Mundial enquanto Primeiro Lord do Almirantado e comandante do 6.º batalhão dos Royal Scots Fusiliers. Quase nada sobre a sua longa e intermitente carreira política antes de 1940 e nada depois de 1945. Pouco sobre os seus empreendimentos literários que em 1953 lhe garantiram o Prémio Nobel da Literatura. Sem dúvida, ler uma biografia exaustiva sobre ele é um empreendimento para uma década.

A leitura deste livro, confirmou algumas certezas que eu já tinha, como a sua capacidade de oratória e mobilização de pessoas. Mostrou também algumas coisas que eu desconhecia, como a sua frustração pela incapacidade demonstrada pelo exército britânico em vencer sozinho os combates, ao contrário da excelência demonstrada pela marinha e a adequação da RAF; a percepção do perigo Soviético no Leste da Europa; o desinteresse pela guerra com o Japão; a sua visão vitoriana do mundo e da guerra, onde golpes de mão e acções ousadas (por vezes inconsequentes) o fascinavam mais do que a estratégia da concentração de força.

No final, a amargura por perder as eleições a dias da rendição da Alemanha. A vida tem destas coisas e também tem livros destes.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

João Aguiar - Os Comedores de Pérolas (1992)



Em "Os Comedores de Pérolas", João Aguiar conta-nos a história de Adriano, jornalista de profissão e escritor nas horas vagas. Adriano é um homem de meia idade que parte para Macau em trabalho, mas também à procura de uma segunda oportunidade depois de um suicídio frustrado. Mas, inesperadamente, o seu trabalho de investigação histórica vai revelar-lhe verdades incómodas que o colocam no centro de uma intriga que fez e continua a fazer mortos.

Nesta história de sobrevivência, João Aguiar, está no seu melhor, mostrando mais uma vez uma grande sensibilidade pela memória. Este livro é um tributo a Macau e um mundo que em 1992 (1.ª edição) estava quase a acabar, é uma história sobre a angústia sorridente da iminente reintegração na China. «Este é um santuário último, onde é possível encontrar as tais desvairadíssimas gentes que às vezes já não se entendem na língua, mas ainda partilham uma tradição», podemos ler. Como sempre, o desprezo pela ganância («É o saque, diziam-me em Lisboa; aquilo é sacar enquanto se pode, antes de 1999. É abanar a árvore das patacas, a ver quem saca mais!») e a mágoa pelo esquecimento dos grandes Homens, perpassa todo o livro...«Com todos os seus defeitos, Vicente Nicolau de Mesquita e João Maria Ferreira do Amaral pertencem àquela raça, hoje extinta, dos portugueses que fizeram e durante séculos mantiveram Portugal como país».

Quando João Aguiar morreu em 3 de Junho de 2010 teve direito a um rodapé no noticiário da RTP1. Dias depois José Saramago morreu e acabou por inundar todo o espaço público. Como sempre, os pequenos portugueses só respeitam quem recebe prémios no estrangeiro, porque os grandes, como João Aguiar escreveu, já estão extintos.

João Aguiar (1943-2010)

segunda-feira, 26 de março de 2012

Crime no Expresso do Oriente (1974)



Crime no Expresso do Oriente foi um filme realizado em 1974 por Sidney Lumet, a partir dum clássico livro com o mesmo nome de Agatha Christie. O filme conta seguramente com uma das maiores concentrações de talento da História do cinema, como por exemplo...

Albert Finney


Anthony Perkins


Jacqueline Bisset  




Lauren Bacall


Vanessa Redgrave


Sean Connery


Ingrid Bergman


Richard Widmark
                                                                 

(O inevitável trailer)


domingo, 11 de março de 2012

Sherlock Holmes vs. Professor Challenger



Em cima, Sherlock Holmes desenhado por Sidney Paget
Em baixo, Challenger, desenhado por Joseph Clement Coll


Arthur Ignatius Conan Doyle nasceu em Edimburgo em 1859 e faleceu em 1930, ficando universalmente conhecido por ser o criador do famoso detective Sherlock Holmes. Mas, o que muita gente desconhece é que Arthur Conan Doyle criou outra personagem concebida qual contraponto de Holmes - o Professor Challenger.
De facto, enquanto Holmes é alto e quase esquelético, com uma personalidade analítica, Challenger é baixo e atarracado, barbudo, agressivo e dominante, mas tal como Holmes apresenta peculiaridades que lhe conferem uma dimensão quase sobre-humana. Inspirado também num professor que teve na Universidade, o professor Rutherford, Challenger aparece já numa fase tardia da produção literária do autor, em 1912, com um marco na literatura de ficção científica, “The Lost Word”, que relata uma expedição à Amazónia que descobre um planalto onde alguns animais pré-históricos ainda sobreviviam. 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

António Mega Ferreira - Macedo. Uma Biografia da Infâmia



O livro Macedo - Uma Biografia da Infâmia, lançado a 10 de Outubro de 2011, traça a vida de José Agostinho de Macedo (1761-1831), pela mão de António Mega Ferreira.


José Agostinho de Macedo foi uma verdadeira personagem, mesmo para o seu tempo. Vestiu várias peles (para além da de oportunista), entre as quais, as de padre, poeta, agitador político. Absolutista dos sete costados, visceralmente turbulento, truculento e sem escrúpulos, atacava os seus inimigos com a pena ou no púlpito. Entre esses contavam-se Bocage (com o qual se reconciliou no fim da vida), Rousseau e Voltaire.


Com um ego de proporções monstruosas, Macedo julgava-se capaz de superar Luís de Camões. Está-se mesmo a ver o resultado...

domingo, 18 de dezembro de 2011

José Miguel Silva - Serém, 24 de Março



José Miguel Silva, Serém, 24 de Março
Averno 042
Foto: Poesia Incompleta
Capa: Luís Manuel Gaspar


Serém, 24 de Março, recentemente publicado pela AVERNO, é o último livro de José Miguel Silva. Em 18 poemas o autor fala sobre as delícias de uma reclusão numa casa antiga, uma antiga prisão. Aí, habita uma relação a dois, seguramente refugiada dos problemas da vida exterior, qual cadeia virada para dentro, que respira por uma cintura natural que a protege (o rio, os gatos, a figueira, as florinhas amorais, a horta de Virgílio...), e que é embalada pelos sons da natureza.
Num tom bucólico e intimista este é um livro que se deve ler.


Chegamos. A casa é a última da rua, que não tem,
naturalmente, saída. Abaixo disto não há mais nada,
apenas um fecundo lameiro de silvas e um rio
sossegado, que não lembra a brevidade da vida
e onde nem um suicida se consegue molhar.
(in COM O PÉ NO ACELERADOR)






Percurso do autor até Serém, 24 de Março:


Ulisses já não mora aqui (2002)
Vista para um Pátio seguido de Desordem (2003)
Movimentos no Escuro (2005)
Walkmen (com Manuel de Freitas, 2008)
Erros individuais (2010)





José Miguel Silva (n. 1969)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Gunter Grass - Descascando a Cebola (2004)



Em 2004, o prémio Nobel de Literatura Günter Grass surpreendeu a opinião pública com revelações sobre seu envolvimento com o regime nazi. A sua autobigrafia, conta que, entre outras coisas, aos 17 anos, foi enviado para Dresden como membro da Waffen-SS, a tropa de elite, a reserva de arianos para o futuro da humanidade.


Günter Grass, guardião da consciência histórica alemã, esteve 60 anos em silêncio. Apetece perguntar: quanto vale a verdade? 

Só um um grande Homem cede à consciência de forma tão sonora. 


sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A Civilização do Ocidente Medieval





Jacques Le Goff é um dos maiores historiadores do nosso século. Em A Civilização do Ocidente Medieval,  este historiador francês compôs uma excelente obra de síntese sobre a Idade Média na Europa. É a melhor síntese sobre o período que eu conheço, pois alia uma multiplicidade de detalhes sobre a economia, religião, sociedade, política e mentalidade (entre os séculos V-XV), a uma escrita fácil e cheia de pormenores impressivos.

Nem parece um livro de História e, no entanto, não perde nada em rigor. Para além disso, consegue apaixonar o leitor.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Michel Vaillant - o 8.º Piloto; Suspense em Indianápolis




A parceria entre o Público e as Edições Asa tem feito muito pela divulgação da Banda Desenhada em Portugal. Uma colecção muito boa foi a que saiu em 2010, reunindo clássicos da revista Tintin. Esta colecção é composta por uma selecção dos melhores heróis clássicos daquela publicação periódica de referência que constituiu um suporte fundamental de divulgação de banda desenhada na segunda metade do século XX.
O número 4 da colecção foi dedicado a Michel Vaillant, reunindo dois álbuns, a saber: "O 8.º Piloto" e "Suspense em Indianápolis".  As duas aventuras, realizadas por Jean Graton são inéditas em Portugal.

Michel Vaillant é um bom exemplo de um herói da BD popular, mas que foi quase sempre desconsiderado por muitos críticos.
A série criada por Jean Graton nunca escondeu ao que vinha. Está inteiramente centrada no universo dos desportos motorizados, com destaque para a Fórmula 1, acompanhando de perto a vida e peripécias de um pequeno núcleo de personagens - o clã Vaillant.
Ou seja, é uma obra de puro entretenimento, visando atingir o mais alargado espectro de leitores possível.
A trama familiar é um dos factores de êxito da série, que trata os temas propostos com o máximo realismo e um exaustivo suporte documental. O patriarca Henri Vaillant, os irmãos Jean-Pierre e Michel Vaillant, o colérico americano Steve Warson e, mais tarde, Julie Wood (que teve série própria antes de ser integrada em Michel Vaillant) são os protagonistas centrais.
A fórmula pode parecer-nos hoje singela, mas à época em que surgiu foi verdadeiramente inovadora.
Os dois géneros em que assenta Michel Vaillant – aventuras desportivas e histórias de família - abriram um caminho que seria depois explorado por outros criadores. Mas coube a Jean Graton o mérito de ser o pioneiro.
Os argumentos com que impôs a sua obra à estima dos leitores são fáceis de enunciar: realismo dos veículos e das corridas; desenho de leitura simples e narrativa de compreensão fácil; histórias comuns centradas nos problemas, dramas, emoções e comportamentos das personagens; e imersão total no universo do desporto automóvel.
A série foi adaptada à televisão em 1967 e teve uma versão cinematográfica em 2003 - um protótipo Vaillant/Courage 41 com motor Porsche correu mesmo as 24 Horas de Le Mans em 1997, classificando-se em quarto lugar... Jean Graton já não desenha, mas conta com uma equipa de colaboradores (Christian Papazoglakis, Nedzad Kamenica e Robert Paquet) que asseguram a continuidade da série sob a égide do seu filho, Philippe Graton, que gere o filão Vaillant.

A série chegou a Portugal menos de dois anos após a primeira aparição na revista Tintin (edição belga): foi nas páginas do Cavaleiro Andante, que publicou entre 1de Novembro de 1958 e 10 de Outubro do ano seguinte a aventura O Grande Desafio (o herói chamava-se Miguel Gusmão).
Michel Vaillant ainda voltaria a marcar presença nesta mesma publicação em 1960, mas foi sobretudo a edição portuguesa de Tintin que contribuiu para a mais ampla divulgação da série em Portugal, entre Junho de 1968 (com O Circo Infernal) e Abril de 1977 (O Circo de São Francisco).
A personagem não foi privilégio daquelas duas revistas, tendo aparecido em outras publicações – O Falcão (em 1959), Bip-Bip (suplemento das revistas Foguetão e Cavaleiro Andante, 1961), Zorra (1964-65), Selecções (Mundo de Aventuras, 1980), Jornal da BD (1982), Almanaque Tintin (1983), Flecha 2000 (2ª série, suplemento do Diário Popular, 1985), Selecções BD (1ª série, 1988) e BDN (Diário de Noticias, 1990).
A primeira edição de Michel Vaillant em álbum é da Editorial Ibis, em 1969 (A Honra do Samuraí), sendo depois publicados mais álbuns por outros editores.

Carlos Pessoa

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Millennium - Stieg Larsson

Pois é, já li os três! 






Stieg Larsson (15 de agosto de 1954 - 9 de novembro de 2004) foi um jornalista e escritor sueco, conhecido em todo o mundo pela sua trilogia policial Millennium.

No seu trabalho como jornalista revelou sempre preocupação com os movimentos fascistas e as questões do tráfico de pessoas e direitos humanos em geral. Nesse paraticular foi co-autor de Extremhögern, livro sobre a extrema direita no seu país e o autor da trilogia Millennium, onde fascistas, espiões russos, hackers, traficantes de mulheres, contracenam com jornalistas, polícias e justiceiros. 

Os livros de Stieg Larsson provocaram estranhos fenómenos de adição e histeria pelo mundo fora, simplesmente por uma razão: a de combinar uma narrativa em "estilo cinematográfico" com uma profundidade na abordagem dos factos, quase sempre interessantes.

Para a história do género "policial", deixou duas personagens carismáticas: Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander.

Stieg Larsson morreu em 2004 sem ver o sucesso da sua escrita.

(Página oficial do autor: http://www.stieglarsson.com/)

sábado, 18 de junho de 2011

Histórias Falsas - Gonçalo M. Tavares



1.ª edição BIS: Setembro de 2010
(o original é da Campo das Letras, 2005)



Histórias Falsas para uma tarde bem passada, ou uma noite bem dormida. Disso não tenho dúvidas.
Foi o primeiro livro que eu li de Gonçalo M. Tavares. Não me desiludiu nem surpreendeu, o que é bom, na medida em que as minhas expectativas eram altas (ou não contasse o autor com uma mão cheia de prémios).

Não será certamente o melhor livro do autor, mas foi por aqui que o comecei a ler (tivesse eu mais tempo e dinheiro!). Histórias Falsas é um livro de contos, que nos conta nove histórias falsas... mas encostadas à verdade:
  1. A história de Julieta, a santa da Baviera
  2. A história de Lianor de Mileto
  3. A história de Listo Mercatore
  4. A história de Metão, o pequeno
  5. A história dos tiranos
  6. A história Aurius Anaxos
  7. A história de Elia de Mirceia
  8. A história de Faustina, a medrosa
  9. A história de Arquitas
Mas, para se ter uma ideia da obra, nada melhor do que as palavras do autor, que aparecem logo à cabeça da colectânea de contos, com o título Breve Nota:


Escritas no mesmo período, algumas destas Histórias Falsas foram sendo no entanto publicadas em momentos muito distintos, em revistas portuguesas e numa antologia de contos (Jovens escritores para a nova Europa) publicada em italiano e húngaro.
Não são histórias do género fantástico, mas um homem - de há três mil anos - pode nelas utilizar objectos que ainda não existiam.
Quando as escrevi o que me interessava era, em primeiro lugar, exercer um ligeiro desvio do olhar em relação à linha central da história da filosofia; por outro lado, tinha curiosidade em perceber o modo como a ficção (verosímil ou nem tanto) se pode encostar suavemente a um fragmento da verdade ao ponto em que tudo se mistura e se torna uniforme.
Gonçalo M. Tavares

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Militarmusik - Wladimir Kaminer

 

Wladimir Kaminer

Estrela em ascenção no panorama literário europeu, Wladimir Kaminer nasceu em 1967 em Moscovo, onde recebeu formação como engenheiro de som para teatro e televisão e onde estudou Dramaturgia no Instituto Teatral de Moscovo. Vive em Berlim com a mulher e os dois filhos desde 1990. Escritor de uma ironia caústica e de uma crítica mordaz, Wladimir Kaminer joga com os mecanismos da criação literária, confundindo realidade com ficção e transformando o seu percurso de vida numa Rússia em transição, numa viagem épica.



Militärmusik de Wladimir Kaminer
 
"De tal modo nos embrenhamos na sua escrita fluida, ligeira (no melhor sentido da palavra) e divertida (à custa de uma refinada ironia) que nem queremos saber se determinado facto aconteceu ou não."
Rui Azeredo, in Comércio do Porto


Nota: Reparem no preço.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Lars Saabye Christensen - Beatles


Lars Saabye Christensen custou-me três euros. É cara a cultura em Portugal? Não, em "outlet", com algum tempo e pouco dinheiro encontramos pérolas. Só é preciso alguma agilidade para no meio da quinquilharia "de sucesso" encontrar literatura. E foi o que me aconteceu com este autor norueguês. Depois vim a saber que foi este romance Beatles que consolidou o sucesso de Christensen, tendo vendido 200.000 cópias, apenas na Noruega.
Beatles conta a história de 4 jovens (baby boomers, pois então!) completamente absorvidos pelo vinyl da banda britânica. O seu crescimento, acompanhado de uma ironia ao estilo de m, é feito ao ritmo que cada disco passa na agulha. Por tudo isto é um livro imperdível.
Christensen tem outros livros publicados em Portugal pela Cavalo de Ferro: Herman, Meio-Irmão, O Modelo.




"Lars Saabye Christensen é um dos melhores autores contemporâneos. Escreve romances, poemas, canções rock e guiões cinematográficos. Apesar de não ter uma idade vetusta, é apontado como um sério candidato ao Prémio Nobel."
José Riço Direitinho, Público Ípsilon, 2007-09-21

Colecção "Os incontornáveis da BD" - IRS



Para quem detesta o IRS, finanças e afins, tem dores de barriga quando pensa ou tem de interagir com eles, esta série de banda desenhada/livros aos quadrinhos pode servir para mitigar alguma coisa. Talvez a história destes dois álbuns tenha alguns problemas de realismo... custa-me a imaginar um funcionário (ok, secreto e especial...) do IRS com tanta pontaria, mas o desenho é muito bom e o enredo bem delineado, do princípio ao fim.

Reproduzo abaixo descrição dos dois álbuns que podemos encontrar no site da loja.publico.pt :

A Investigação
Larry B. Max trabalha num departamento especial do IRS (sigla de Internal Revenue Service), a poderosa estrutura governamental que se ocupa dos assuntos fiscais nos Estados Unidos. Tem ao seu dispor todos os recursos informáticos necessários para estabelecer as conexões entre as grandes fortunas e a alta criminalidade. Um dos dossiers mais delicados em que trabalha diz respeito a um judeu americano milionário conhecido pelo seu envolvimento na recuperação dos bens confiscados pelos nazis durante a Segunda Guerra Mundial.


A Estratégia Hagen
Há indícios de que o assassínio, em Los Angeles, de um antigo funcionário da União de Bancos Suíços, tenha sido decretado por um dos colaboradores próximos de Moshe Geldhof, um multimilionário judeu americano envolvido nas operações de recuperação do ouro e bens dos judeus pelos nazis. Larry B. Max, o agente especial do IRS norte-americano, continua a investigar esta personalidade e as suas diligências levam-no até Berna, onde toma conhecimento de terríveis eventos relacionados com o campo de concentração de Auschwitz...


quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Secção 9



Esta ilustração de Diogo Carvalho é uma homenagem à falecida Secção 9, loja de Banda Desenhada em Aveiro, no Centro Comercial Oita, que cheguei a visitar várias vezes e onde comprei três livros. Como quase tudo o que é bom em Portugal fechou. A homenagem de DC é justa e foi retirada do seu blog: obecodozedotalho. Visitem-no, já que a loja fechou.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Clube Dumas




Mais uma grande compra nas promoções. Lido e degustado ao sol de Julho, este livro levou-me pela primeira vez a Arturo Perez Reverte, um mui aclamado autor espanhol da actualidade. Alexandre Dumas chega-nos pelas mãos de um dealer de livros, que no cinema foi interpretado por Johnny Depp. O filme tem o título de "A Nona Porta", que ainda não vi. O livro é muito bom dentro do género. A reler...





quinta-feira, 22 de julho de 2010

Fantomas contra os vampiros multinacionais



Este livro do autor argentino Júlio Cortazar foi um achado numa mega-promoção de Verão, onde se viam largas dezenas de exemplares. É um livro "esquisito", um panfleto político contra o vampirismo norte-americano na América Latina, e o que me surpreendeu mais, contra a criação de sociedades multiculturais, que na perspectiva do autor favorecem o vampirismo do capital selvagem, por enfraquecer, neste caso, a memória e a identidade dos centro e sul americanos (O autor é claramente de esquerda). Aí aparece texto intercalado com tiras de banda desenhada, onde Fantomas e Júlio Cortázar estão entre os personagens principais.

"Um perigo implacável ameaça a literatura universal: as bibliotecas ardem em todo o mundo e as obras-primas dos grandes escritores são pasto das chamas. Os incunábulos são roubados ou destruídos, sem que ninguém seja capaz de o impedir. Para desmascarar o ser maquiavélico que está por trás dos atentados e impedir que a cultura desapareça, Cortázar tenta contactar com o famoso herói Fantomas para que este resolva o problema...."


Editora: Teorema
N.º de páginas: 100
Dimensões: 23,0 x 16,0 cm
Peso: 300g